segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

PRETTY CURE COMEMORA SUA 15ª SÉRIE: HUGTTO! PRECURE



                O ano era 2004 quando a Toei Animation lançou, em fevereiro daquele ano, uma série aparentemente sem maiores pretensões chamada Pretty Cure, trazendo as aventuras de duas garotas que, por um acaso do destino, ganham poderes mágicos e se tornam defensoras da paz e da justiça, enfrentando vilões e seus monstros. O objetivo, claro, era criar uma nova série no estilo mahou shoujo (garotas mágicas) para explorar o filão de produtos e brinquedos licenciados visando o público infantil feminino, algo que o estúdio andava se ressentindo desde o final de Sailor Moon, anos antes. A série conseguiu uma boa audiência, e motivou a Toei a lançar uma continuação no ano seguinte, transformando a dupla de heroínas em um trio, com a adição da personagem Hikari como Shiny Luminous, à dupla de heroínas Nagisa (Cure Black) e Honoka (Cure White), continuando a defender nosso mundo das forças do mal. O sucesso da continuação levou a Toei a levar Pretty Cure também para os cinemas, aumentando a popularidade da série não apenas junto ao seu público-alvo, mas também conseguindo muita popularidade com o público masculino, e também o infanto-juvenil, já que as aventuras das super-heroínas mágicas caiu no gosto deste pessoal também. Um diferencial desta nova série é que as garotas eram super-garotas mágicas: apesar de terem seus golpes especiais para vencer seus inimigos, as meninas podiam encarar uma briga com a maior tranquilidade, já que possuíam também superforça, sendo capazes de arrebentar até paredes com as mãos, nos combates com seus inimigos.
                Em 2006, Pretty Cure se tornaria uma franquia, com novas séries apostando no mesmo esquema, mas trocando os enredos e as personagens. O início foi com Pretty Cure Splashstar, apresentando uma nova dupla de heroínas, Saki e Mai (Cure Bloom e Cure Egret, respectivamente), claramente inspirada nas heroínas originais. Mas, a partir da série seguinte, Pretty Cure Five, a franquia inspirou-se em outra grande franquia de sucesso da Toei, os Super Sentai, e transformou as heroínas em grupos de equipes a cada nova série, que ano após ano, foi se renovando, sempre com novas heroínas, novos personagens, e novos vilões a serem enfrentados, tornando-se um dos carros-chefe de produções animadas da Toei Animation, perdendo apenas para os megassucessos do estúdio, como Dragon Ball, e One Piece, por exemplo. E o sucesso de Pretty Cure continuou pela nova década, com alguns altos e baixos, mas mantendo-se firme no rol de produções da Toei, que neste ano de 2018, acaba de lançar a sua 15ª série da franquia, mostrando que a fama das super-heroínas mágicas pode ter tido alguns abalos, mas continua em evidência, apesar de muitos fãs não terem gostado do resultado da série de 2017, Kirakira Precure a La Mode, que acabou não sendo desenvolvida como deveria, e em alguns casos, dividindo as opiniões em discussões mais acaloradas.
                HUGTTO! PRECURE é o nome da nova série, que estreou no último dia 04 de fevereiro, e com a qual a Toei já iniciou as comemorações de 15 anos da franquia. Com o slogan de que ‘Podemos fazer qualquer coisa! Podemos ser qualquer coisa! Vamos abraçar o futuro brilhante!”, a série apresenta um novo grupo de heroínas que irá defender o futuro e suas possibilidades infinitas de realizações, que está ameaçado pelos planos de um grupo maligno chamado Kuraiasu (Amanhã Sombrio, numa tradução livre). E uma de suas estratégias é sugar todo o Asupawawa, ou o “poder do amanhã”, sem o qual as pessoas desistirão de seus ideais de vida. E caberá às novas guerreiras lendárias Precure impedir que isso aconteça.
                É nesse contexto que conhecemos Hana Nono, uma jovem sonhadora de 13 anos que quer ser uma garota estilosa e madura. Ela está iniciando em uma nova escola, onde conhece novas amigas e planeja seus passos para o futuro, até que uma estranha bebê cai bem em cima dela, junto de um hamster falante. A bebê, Hugtan, acaba sendo ameaçada pelos capangas da Kuraiasu, e com a ajuda de Harry, a fada hamster da série, Hana acaba reunindo a energia Asupawawa e criando um Cristal do Futuro, que se converte em um Preheart, dispositivo que a transforma em uma guerreira lendária Precure, tornando-se Cure Yell, a Precure da Alegria, e sua vida vira literalmente de cabeça para baixo, passando a enfrentar os vilões da Kuraiasu e seus monstros Oshimaidaas.
                Com os episódios seguintes, suas amigas de escola se unirão a ela em sua luta. Sua amiga Saaya Yakushiji, que é representante da classe onde Hana passa a estudar, se tornará Cure Ange, a Precure da Sabedoria; e sua nova amiga e colega Homare Kagayaki se transforma em Cure Étoile, a Precure do Poder. Juntas, o trio de heroínas irá garantir que o futuro e todas as suas possibilidades continuem a existir.
                Como não poderia deixar de ser, a série já tem dois filmes para o cinema garantidos. Em março, sairá o filme “reunion” onde as novas personagens terão uma aventura conjunta com as heroínas das últimas séries Precure, Mahoutsukai Precure, e Kirakira Precure. E para outubro, está programado o filme solo de Hugtto! Precure. E, em se tratando das comemorações dos 15 anos da franquia, a Toei já afirmou que teremos algumas surpresas neste quesito, mas não deu maiores detalhes. Até o momento, já houve confirmação de que teremos algo envolvendo as primeiras heroínas da franquia, Cure Black e Cure White, mas não se sabe se elas irão aparecer em algum especial, ou se na própria série Hugtto! Precure. Uma pista éo fato de os vilões da nova série já conhecerem as Precures, embora as novas personagens da série lhes sejam completamente desconhecidas, o que significa que eles já se encontraram com algumas das heroínas. Mas seriam elas as antigas Precures, ou outras heroínas que aparecerão na série futuramente? Enquanto isso não é revelado, resta aos fãs acompanharem as novas aventuras de Hana, Saaya e Homare como as novas guerreiras lendárias Precure.
                No Brasil, infelizmente os fãs não tiveram muita sorte com esta franquia. Apenas duas produções foram exibidas aqui, via Netflix, mas adaptadas pela Saban, que infelizmente mutilou as séries Smile Precure e Dokidoki Precure, mudando o nome para Glitter Force, e cortando um monte de episódios, além de terem feito uma dublagem horrorosa para Smile. Todas as outras séries de Pretty Cure continuam inéditas, sendo acessíveis apenas via fansubbers. Se bem que, depois da experiência pouco agradável com Glitter Force, boa parte dos fãs não vai fazer questão de ver a série oficialmente por aqui, se for para ter adaptações sofríveis assim.
                Mas, pelo visto, os resultados da franquia, sejam em audiência, sejam na comercialização de produtos licenciados, mostram que Pretty Cure tem motivos mais do que justificados para comemorar uma década e meia de existência, e ir muito além disso. A própria Toei já produz a franquia de tokusatsu Super Sentai há praticamente 40 anos, desde que estreou a primeira série, Goranger, e ainda tem como exemplo também a franquia Kamen Rider, outro tokusatsu, que tem quase 50 anos de existência, embora não tenha tido produções ininterruptas desde que estreou a primeira série, em 1971. Mas isso apenas demonstra que Pretty Cure e suas super-heroínas mágicas podem ir mais longe do que muitos imaginam. Quem viver verá!


MORREU MORT WALKER, CRIADOR DO RECRUTA ZERO



                Mais um nome de peso da indústria dos quadrinhos nos deixou nas últimas semanas. Desta vez foi Mort Walker, criador do Recruta Zero, personagem com quase 70 anos de existência, desde que teve sua primeira tira publicada nos Estados Unidos. O artista, que ainda trabalhava na criação de tiras do personagem, tinha 94 anos, e faleceu devido a uma pneumonia, em sua casa, na cidade de Stamford, Estado de Connecticut, Estados Unidos, no último dia 27 de janeiro.
                Nascido em 3de setembro de 1923 em El Dorado, no Estado do Kansas, Addison Morton Walker desde cedo já manifestava desejo de seguir a vida de cartunista, tendo seu primeiro cartum publicado ainda com 11 anos de idade. Nos anos 1940, prestou serviço militar durante quatro anos, alcançando a patente de primeiro-tenente. De volta à vida civil, formou-se em jornalismo pela Universidade de Missouri-Columbia, mas os cartuns nunca tinham saído de sua meta de vida, e assim, em 1948, ele partiu paraNova Iorque, decidido a tentar a sorte no mundo dos quadrinhos, mas os primeiros dois anos foram bem difíceis, pois nenhuma editora ou distribuidora manifestava interesse por suas criações. Sua sorte só começaria a mudar em 1950, quando criou a personagem de um universitário preguiçoso, e que tentava evitar de pegar no pesado. Batizado inicialmente de “Spider”, ele logo mudou seu nome para”Beetle Bailey”, e conseguiu que a tira fosse adquirida pela King Features Syndicate, passando a ser publicada em alguns jornais, estreando em 4 de setembro de 1950, e mostrando o cotidiano do personagem em sua vida universitária.
                A tira não estava fazendo muito sucesso, e a King estava prestes a cancelar o contrato com Mort Walker, quando este, sem saber do destino que sua criação esperava nas mãos da distribuidora, resolveu alistar seu personagem no exército, uma vez que a Guerra da Coréia estava rolando do outro lado do mundo. Walker descartou praticamente todo o elenco de personagens da universidade, e criou toda uma nova leva para participar das novas histórias na caserna. E a tira decolou de vez, atingindo um sucesso que ninguém esperava. E a popularidade só cresceu ainda mais quando o próprio exército dos Estados Unidos resolveu boicotar a tira, banindo-a de sua publicação militar, acusando-a de denegrir a imagem do exército do país com seu rol de personagens, e tendo como estrela principal um recruta raso que se notabilizava pela preguiça e indisciplina, desacatando as ordens de seu oficial superior imediato. Mort Walker agradeceu a “ajuda” dos militares, e a tira explodiu ainda mais em fama, e nestes quase 68 anos de publicação ininterrupta sob o comando de seu criador, chegou a ser publicada em mais de 50 países e mais de 1.800 jornais, sem contar as revistas em quadrinhos publicadas em diversos países, entre eles o Brasil, onde Beetle Bailey, com o nome nacional de “Recruta Zero”, ganhando sua primeira revista em quadrinhos em 1962, através da Rio Gráfica e Editora – RGE, onde seria publicado até 1986, com cerca de 292 edições regulares, além de diversos almanaques e edições especiais. No início dos anos 1970, a editora Saber também publicou histórias do personagem, com um título diferente e nomes trocados. A Editora Globo publicaria o título regular do Recruta Zero do fim dos anos 1980 até 1992, quando encerrou a publicação do seu título mensal. Desde então, o indolente recruta e toda sua trupe de personagens perambulou por diversas editoras, com títulos publicados que nunca duraram muito, sendo sempre cancelados após algum tempo. Mas o personagem continua sendo publicado em vários jornais, entre eles “O Estado de São Paulo”.
                Apesar do grande sucesso da tira, Mort Walker não ficou restrito somente ao sucesso do Zero. Com o fim da Guerra da Coréia, ainda nos anos 1950, ele experimentou devolver o personagem à sua vida civil, e criou um novo rol de personagens, apresentando a irmã do Zero e sua família. A idéia era tentar desenvolver o mesmo tipo de humor, agora na vida cotidiana civil. Mas os leitores protestaram, e para azar do Zero, em muito pouco tempo ele estava de volta às agruras do Quartel Swampy. Mas a família de sua irmã não seria esquecida, e deu origem à tira Hi and Lois (chamada no Brasil de Zezé & Cia.), que também fez grande sucesso, e que de tempos em tempos, faziam aparições na tira do Zero, com sua irmã e sobrinhos visitando-o no  quartel, e vice-versa. Curiosamente, para ajudar a cuidar desta tira, enquanto continuava a tocar a do Zero, Mort Walker contou com o talento de Dik Browne, que anos depois, criaria seu próprio personagem de sucesso, o guerreiro viking “Hagar, o Horrível”. Ambos se tornaram grandes amigos desde então, e Mort sentiu muito a morte de Dik em 1989, tanto pessoal quanto profissionalmente. Outro projeto de Walker, este menos conhecido e famoso, mas que também chegou a ser publicado no Brasil, foi a série “The Bonner’s Ark”, com o nome nacional de “A Arca de Noé”, durante os anos 1970, e mais recentemente, com o título de “A Arca do Bichos”, nas últimas revistas do Recruta Zero lançadas pela Pixel Media, mostrando o dia-a-dia de uma arca cheia de animais, e comandada por um capitão meio trapalhão.
                Em 1974, Mort fundou o Museum of Cartoon Art, o primeiro museu devotado aos quadrinhos. Localizado a princío em Greenwich, no Estado de Connecticut, o museu mudou-se mais tarde para a cidade de Boca Raton, Estado da Flórida, em 1992, quando precisou de um novo endereço com mais espaço. Em 1996, o local passou a se chamar International Museum of Cartoon Art. Infelizmente, os custos de manutenção da entidade eram altos, e apesar de esforços junto a alguns patrocinadores, e do próprio Mort Walker, o museu fechou suas portas em 2002. Seu acervo foi então adicionado à coleção da Universidade do Estado de Ohio em 2008, como alternativa para preservação do material. O acervo do museu criado por Walker chegou a contabilizar mais de 200.000 desenhos originais, 20.000 quadrinhos, 1.000 horas de filme e diversos outros itens. Este imenso acervo foi formado quase inteiramente por doações de vários artistas, entre eles Chester Gould (criador do Dick Tracy ), Hal Foster (Príncipe Valente), Bill Keane (Family Circus), Milton Caniff (Terry e os Piratas), Dik Browne (Hagar, o Horrível), e até mesmo Stan Lee (Spider-Man), entre outros, chegando a ser avaliado em um valor estimado de US$ 20 milhões. A iniciativa de Walker era contribuir para a divulgação e preservação da memória dos quadrinhos, além de melhorar a forma como os cartuns eram vistos pelo grande público, dando-lhes mais respeito, e também como forma de retribuir o grande sucesso que o meio dos quadrinhos lhe proporcionou através dos personagens que criou.
                Mort também era conhecido pela solidariedade e respeito para com o próximo. Ele participou de várias campanhas beneficentes ao longo de sua longeva carreira, ajudando hospitais e a Cruz Vermelha. E, ainda no início de sua carreira, em 1951, deu uma força a um colega de profissão que estava com dificuldades para emplacar seus personagens: ninguém menos do que Charles Schultz, o criador do Snoopy, que depois também conseguiria grande sucesso no mercado de tiras de quadrinhos. Entre sua legião de personagens do universo do Recruta Zero, ele confessou que seu favorito era o Sargento Tainha. E, quando questionado sobre qual era a maior alegria que sentia em sua carreira de cartunista, ele era sempre franco e direto: fazer as pessoas que liam seu trabalho rirel e sentirem-se felizes. E, quando lhe perguntavam quando ele pararia de trabalhar com o Zero, seguindo o exemplo de alguns outros colegas de profissão que encerraram seus trabalhos com seus personagens, preferia responder de forma indireta, ao afirmar que não gostaria de desapontar seus leitores que sempre acompanharam cada tira criada por ele do personagem. E ele cumpriu sua promessa: até sua morte, continuava em plena atividade, talvez em ritmo menor do que antigamente, mas firme em manter Zero e toda a sua imensa turma na ativa, sempre com novas histórias.
                O desenhista foi casado duas vezes. Em 1949, ele casou-se com Jean Suffill, que havia conhecido durante seu tempo cursando a universidade, e com quem teve sete filhos. Mort e Jean divorciaram-se em 1985, e Walker casou-se em seguida com Catherine Prentice, no mesmo ano, e com quem veio a ter mais três filhos, estando juntos até a morte dele, no último dia 27 de janeiro.
                Quanto ao futuro do Recruta Zero, este está garantido por muito tempo: Brian e Greg, filhos de Mort de seu primeiro casamento, já vinham ajudando o pai na criação e produção das tiras há muitos anos, e prometem cuidar com todo o carinho o maior sucesso que seu pai concebeu em sua carreira artística, com a mesma dedicação e criatividade que ele desempenhou nestes quase 68 anos de trabalho praticamente ininterrupto, desde que desenhou a primeira tira do personagem, em 1950. Então, podem ir se preparando para aguentar Zero e sua turma por um longo, longo tempo. Mort pode descansar em paz, ciente de que sua missão de divertir e alegrar as pessoas neste mundo com seu grande talento como cartunista, foi mais do que bem cumprida. Adeus, velho combatente!

sábado, 27 de janeiro de 2018

VINYX CONTINUA A LANÇAR MAIS SÉRIES CLÁSSICAS



                O mercado de vídeo nacional parece começar 2018 com tudo, no que se refere a seriados antigos. E a Vinyx Multimídia, empresa responsável por estes lançamentos, continua com a corda toda nos seus anúncios de novos produtos, e para os amantes destas velhas séries, pelo menos mais dois boxes chegarão às lojas em breve.
                Um deles será uma caixa com os telefilmes da série O HOMEM DO FUNDO DO MAR, produzidos em 1977 pela Solow Production Company, sob encomenda da rede NBC. A idéia original da produção era levar para a TV as aventuras do personagem Namor, o Príncipe Submarino, da Marvel Comics. No mesmo ano, aUniversal havia produzido um filme piloto para uma possível série de TV do Incrível Hulk, e os resultados foram animadores, com a produção de um segundo episódio e a confirmação de que o seriado seria realizado. Mas os produtores não conseguiram fazer a adaptação do personagem anfíbio da Marvel como esperavam, e a série acabou recebendo outro nome, “Man From Atlantis” (O Homem do Fundo do Mar, na versão em português). Na história criada para a série, um homem com amnésia é encontrado em uma praia, inconsciente. Eleexibe estranhas características, como membranas nas mãos e nos pés, além do que parece ser guelras. Após curar seus ferimentos, seus salvadores descobrem que ele é capaz de respirar debaixo d’água, possui uma grande força, e algumas outras habilidades especiais. Mas, sua memória é um vazio. O estranho ganha o nome de Mark Harris, e passa a ajudar aqueles que o salvaram na Fundação para Pesquisa Oceânica, enfrentando alguns casos e perigos relacionados ao mar, enquanto não descobre quem ele realmente é, que segundo as hipóteses formuladas, poderia ser o último sobrevivente da mítica Atlântida. No episódio piloto da série, Mark cogita retornar ao oceano para tentar descobrir suas origens, mas vendo-se sozinho frente à imensidão dos oceados, ele decide viver junto àqueles que o salvaram, para aprender e descobrir mais sobre todos, e a si mesmo, e tem início suas aventuras junto ao grupo da Fundação, singrando os mares a bordo de seu submarino, o Cetáceo.
                O personagem foi vivido pelo ator Patrick Duffy, com Belinda Montgomery interpretando a Dra. Elizabeth Merrill, que passa a ser um interesse romântico de Mark. O grande vilão da série era o Senhor Schubert, interpretado pelo ator Victor Buono, que havia feito o hilário vilão Rei Tut no seriado dos anos 1960 do Batman, e que volta e meia aparecia com algum plano ameaçando a paz no mundo. Foram produzidos quatro telefilmes, que motivaram a produção de uma série de TV regular, com 13 episódios. Infelizmente, a audiência dos episódios não foi das melhores, e o seriado acabou cancelado. Em 1978, Patrick Duffy passaria a fazer o papel que o tornaria conhecido mundialmente, de Bobby Ewing, na série Dallas, e o Homem do Fundo do Mar passaria a ser apenas uma pequena nota em sua carreira de ator. Na época da produção do seriado, contudo, as apostas de que a série faria sucesso eram altas: a Marvel Comics chegou a lançar um título em quadrinhos com o personagem, que durou apenas 7 edições. Até o submarino da série, o Cetáceo, acabou sendo lançado como brinquedo, devido ao seu formato peculiar.
                No Brasil, a série acabou exibida inicialmente pela TV Globo, fazendo algum sucesso, o que motivou a RGE a publicar as histórias em quadrinhos criadas pela Marvel, que tinham roteiros de Bill Mantlo e arte de Frank Robbins e Frank Springer. Na década de 1980, a série seria reprisada pela TV Record, até sair da programação, e nunca mais ser exibida em nosso país. E agora, os saudosistas terão a chance de rever as aventuras de Mark Harris em DVD. O box que será lançado pela Viny traz os quatro telefilmes produzidos: O episódio piloto original, “Os Exploradores da Morte”, “As Esporas Assassinas”, e “Os Desaparecidos”. Os discos trarão os filmes com opções de áudio em inglês e português, além da opção de legendas em nosso idioma. Até o fechamento desta matéria, a distribuidora ainda não havia anuncido o preço da caixa, que tem como título THE COMPLETE TV MOVIES COLLECTION – O HOMEM DO FUNDO DO MAR, e é composta de 4 discos, um para cada filme. Pelo menos, até o presente momento, não há menção se a série de TV será lançada, mas levando-se em conta que a Vinyx vem surpreendendo com os títulos de seus mais recentes lançamentos e anúncios, nada pode ser descartado.
                O outro lançamento prometido pela distribuidora, que também deverá chegar em breve às lojas, é um clássico dos anos 1980: o Super-Herói Americano, produção que brincava com os clichês do gênero super-heróis, mostrando que as coisas na vida real são bem mais complicadas de resolver do que se imagina, e que fez sucesso na primeira metade daquela década. Tudo começa quando o professor Ralph Hinckley, numa noite em que precisa atravessar o deserto para ajudar seus alunos, cujo ônibus sofreu uma pane. Ao encontrar o carro desgovernado conduzido por Bill Maxwell, os dois acabam se encontrando com uma nave de extraterrestres que vieram ao nosso mundo para ajudar a humanidade e protegê-la de si mesma, a fim de que possam evoluir um dia. Para tanto, Ralph ganha um uniforme que lhe confere os mais fantásticos poderes, e com os quais poderá salvar e defender as pessoas. Mas, fazer isso direito com o uniforme é complicado, e por isso, ele ganha um livro de instruções que ensina como usar corretamente o uniforme especial que ganhou.
                O problema é que Ralph perde o manual, e com isso, fica sem saber como usá-lo direito. Para piorar, ele não vê nenhuma necessidade de usar aquela roupa ridícula, até porque já tem problemas demais em sua vida cotidiana, tendo que superar um divórcio, e ainda uma batalha pela guarda de seu filho, em uma ação judicial movida por sua ex-mulher. Isso sem mencionar que seus alunos não são exatamente os mais camaradas com seu professor, o que coloca sua auto-estima em xeque em diversos momentos. Mas, eis que surgem perigos que só podem ser resolvidos graças ao uso de superpoderes, e sem opção, lá vai Ralph vestir seu superuniforme e salvar o dia, do jeito que for possível, já que sem o manual, ele tem que tentar aprender como usar os poderes da roupa, nas mais complicadas e até ridículas situações possíveis, como por exemplo, aprender a voar, recebendo dicas de uma criança, que lhe fala para agir no melhor estilo “para o alto e avante” de um certo super-herói kryptoniano. Mas nem voar ele consegue fazer direito, temendo despencar lá do alto. E o que dizer de suas aterrissagens, onde ele literalmente cai de cabeça do alto quando tenta descer em algum lugar.
                Como desgraça pouca é bobagem, Bill Maxwell, que se torna seu amigo, ainda por cima, é um agente de segunda categoria do FBI, mas acaba arrastando Ralph para os casos que investiga, na tentativa de se promover um pouco, e mostrar que pode ser um agente de respeito dentro do órgão federal, mas sempre deixando para o amigo super-herói ter de resolver a parada quando a situação pede algum tipo de habilidade especial. E lá vai Ralph ter de procurar um lugar para se trocar (o que ele nunca consegue fazer direito e rápido, ao contrário do que se vê nos quadrinhos do gênero), e sair em público vestindo aquele uniforme berrante, e torcendo para não quebrar a cara na parede mais próxima quando tentar voar ou precisar atravessar um muro, o que acontece com muita frequência.
                Apesar das situações hilariantes, e de vários momentos ridículos, a série não era propriamente uma comédia. O lance era mostrar como seria a atuação de um super-herói no mundo real, e aí entram os problemas de Ralph em tentar aprender como usar seus poderes de forma efetiva e sem passar vergonha de aparecer em público usando um uniforme colorido esquisito, pra não mencionar a impressão de ser um biruta que deveria estar internado em um sanatório. Afinal, para se poder usar os poderes, era preciso usar o uniforme, deixando-o todo à mostra, e o traje não tinha uma máscara, de modo que Ralph literalmente dava a cara a tapa nas aventuras. E mostrando os problemas de se conciliar uma vida dupla, e as dificuldades de se trocar de roupa sem chamar a atenção, sendo que a série também aproveitou para fazer piada com o Super-Homem, quando Clark Kent recorria a uma cabine telefônica para trocar de roupa, ao mostrar Ralph tendo inúmeros problemas para fazer a mesma coisa, devido, entre alguns outros motivos, ao aperto deste tipo de cabine. E apesar de sempre arrastar Ralph para as encrencas, Bill realmente se tornou um bom amigo, mesmo com todas as confusões. Além de Ralph e Bill, a série contava também com a personagem Pam Davidson, advogada que cuidou do caso de custódia de Ralph, e acabou se tornando o seu novo caso amoroso, descobrindo seu segredo e passando a dar uma força nas ”aventuras” super-heróicas quando possível.
                Ralph Hinkley era interpretado pelo ator William Kat, com Robert Culp interpretando Bill Maxwell. Já Pam Davidson era interpretada por Connie Sellecca. E, a exemplo do que era mostrado na série, o ator William Kat também detestava usar o traje de super-herói. A série, pelo seu tema de superpoderes, até sofreu processo por parte da DC, alegando plágio sobre o Super-Homem, mas a editora não teve sucesso. A primeira temporada, que estrou em março de 1981, contou com 9 episódios, e fez sucesso, permitindo a produção de sua uma segunda temporada, com mais 22 episódios, onde a audiência se manteve satisfatória, e resultando em uma 3ª temporada, com mais 14 episódios. No terceiro ano, infelizmente a série perdeu audiência, e teve seu último episódio exibido em fevereiro de 1983, encerrando a produção após 3 temporadas e um total de 44 episódios. Em 1986, até tentaram reviver a série, mas William Kat não aceitou voltar ao personagem, de modo que tentaram criar uma nova protagonista mulher para assumir a função que era de Kat, que resultaria na série “A Super-Heroína Americana”, mas o episódio piloto não foi aprovado, e nada mais acabou sendo produzido.
                No Brasil, “Super-Herói Americano” foi exibido pela TVS/SBT, que exibiu todas as 3 temporadas, reprisando-a inúmeras vezes, até tirá-la do ar em definitivo, nos anos 1990. Desde então, a série nunca mais foi exibida na TV brasileira, aberta ou fechada, de modo que os fãs ficaram muitos anos contentando-se unicamente com episódios gravados em VHS por colecionadores para matar a saudade, ou recorrendo à importação dos boxes da série lançados nos Estados Unidos. Uma saudade que será amenizada agora pela Vinyx Multimídia, com o tao merecido lançamento em DVD no mercado nacional.
                SUPER-HERÓI AMERICANO – A PRIMEIRA TEMPORADA COMPLETA, traz todos os 9 episódios da primeira temporada em uma caixa com 3 discos, incluído o episódio piloto, em duas partes. O preço ainda não foi anunciado, assim como a caixa de O Homem do Fundo do Mar, mas tão logo já esteja disponível em pré-venda, todos poderão conferir. Só será preciso um pouco de paciência, já que os últimos lançamentos anunciados desdeo mês de dezembro ainda não chegaram às lojas até o fechamento desta matéria.
                O único ponto negativo desta caixa de o Super-Herói Americano é o fato de não haver o áudio em português dos episódios, uma vez que a empresa afirmou que não foi possível utilizar a dublagem da série, em virtude da má qualidade do áudio, e que não tiveram autorização para tratar o som, e tentar viabilizar sua utilização. Assim, os fãs terão que matar a saudade revendo os episódios apenas no áudio original, em inglês, com opção de legendas em português. Uma pena, pois a dublagem da série, feita no estúdio MAGA, tinha ninguém menos do que Marcelo Gastaldi, eternizado por dar voz ao personagem-título da série mexicana Chaves, dublando Ralph Hinkley. Antonio Moreno fazia a voz de Bill Maxwell, enquanto Márcia Gomes dava voz a Pam Davidson. Mesmo assim, trata-se de um lançamento há muito desejado pelos fãs, não apenas da série em si, mas dos antigos seriados, em mais uma grande surpresa proporcionada pela Vinyx, que vem mostrando uma postura confiante no mercado nacional de vídeo, onde as distribuidoras internacionais não vem botando muita fé, e deixando de fazer vários lançamentos com o mesmo empenho que faz no exterior. E a Vinyx ainda afirma que possui muitas surpresas na manga vindo por aí, portanto, fiquemos na expectativa com relação a mais novidades muito em breve.