domingo, 16 de julho de 2017

EDITORA BEST SELLER LANÇA LIVRO SOBRE A MULHER-MARAVILHA



                Uma das maiores personagens do Universo DC, a Mulher-Maravilha forma, junto com o Super-Homem e o Batman, a trindade suprema dos heróis da editora, e ganhou recentemente um filme para cinema, com a atriz Gal Gadot no papel da heroína, que foi um grande sucesso, confirmando a boa impressão que a personagem havia apresentado no filme Batman VS Superman: A Origem da Justiça. A personagem foi criada em 1941 por William Moulton Marston, um psicólogo, que havia ajudado a criar o detector de mentiras, e que defendia a igualdade de gêneros e era um liberal em relação ao sexo, algo complicado na época. Daí o fato de ele ter criado uma personagem feminina forte, independente, e que não precisava da ajuda de homem algum para vencer seus inimigos. Até então, o papel da mulher era ser submissa ao homem, e nos quadrinhos, quase sempre eram parte das pessoas a serem salvas pelos heróis.
                A personagem, que completou 75 anos em 2016, tem uma rica história nos quadrinhos, desde que ganhou suas primeiras aventuras pela então National Comics, atual DC. Tão rica e cheia de detalhes, que ganhou um livro, dissecando toda a sua carreira nestas décadas, que agora chega ao mercado editorial nacional, pela editora Best Seller.
                A HISTÓRIA SECRETA DA MULHER-MARAVILHA traz, em suas 480 páginas, com preço de R$ 64,90, praticamente tudo o que há para se dizer a respeito da Princesa Amazona. Escrito por Jill Lepore, este livro é o resultado de uma pesquisa fantástica realizada pela autora, que é historiadora da Universidade de Harvard, e redatora da revista New Yorker, que brinda o leitor com um acesso completo sobre a origem e a história dessa que é uma das mais importantes super-heroínas de toda a cultura ocidental. Uma surpreendente trama familiar, com fatos cruciais para o feminismo do século XXI e mostrando uma Mulher-Maravilha como você nunca viu antes! O livro já está disponível nas principais livrarias on-line do país para venda, e trata-se de um importante registro da personagem, como nunca antes foi feito.
                A edição foi lançada originalmente nos Estados Unidos em julho de 2015, pela First Vintage Books Edition. Em sua pesquisa, Jill Lapore descobriu diversos documentos sobre a heroína, incluindo papéis privados do criador da Mulher-Maravilha, William Moulton Marston, nunca antes visto, e descobrindo uma história cheia de nuances e preconceitos e discriminação sobre as mulheres. Começando em seus anos de graduação em Harvard, Marston foi desde muito cedo influenciado por sufragistas e feministas, como Emmeline Pankhurst, que foi proibida de falar no campus em 1911, quando Marston ainda era um calouro. Na década de 1920, Marston e sua esposa, Sadie Elizabeth Holloway, trouxeram para casa a Olive Byrne, a sobrinha de Margaret Sanger, uma das feministas mais influentes do século XX. A história da família Marston era um conto de dramas, intrigas e ironia. Na década de 1930, Marston e Byrne escreveram uma coluna regular para os círculos familiares em que celebravam a vida familiar convencional, mesmo que eles próprios perseguissem vidas de extraordinária inconformidade. Marston viveu uma vida de segredos, apenas para explorá-los nas páginas das aventuras da Mulher Maravilha.
                Assim, mais do que explorar a história da personagem, esta obra é um retrato do tratamento que as mulheres recebiam na época, consistindo em uma viagem de força da história intelectual e cultural. Para Lepore, a Mulher-Maravilha é o elo perdido na história da luta pelos direitos das mulheres, em uma série de eventos que começa com as campanhas de votação feminina do início dos anos 1900 e termina com o ritmo conturbado do feminismo um século depois. O livro traz várias revelações baseadas em cartas e fotografias nunca antes vistas dos papéis da família Marston.
                Nascida em 1966, em West Boylston, Massachusetts, Lepore desde cedo decidiu que queria ser escritora. Embora não tivesse como objetivo tornar-se uma historiadora, sua carreira acabou levando-a para este caminho. Ela ganhou seu bacharelado em Inglês da Universidade Tufts em 1987, seguindo-se a um mestrado em Cultura Americana da Universidade de Michigan em 1990. Em 1995, ela concluiu um doutorado em Estudos Americanos pela Universidade de Yale, onde se especializou na história do início da América. Lepore começou a lecionar na Universidade da Califórnia, em San Diego, passando depois pela Universidade de Boston, antes de começar a dar aulas em Harvard, onde atualmente é professora de História. Ela começou a escrever vários livros e artigos sobre história, e outros assuntos. Seu primeiro livro, "The Name of War", ganhou o Prêmio Bancroft; Seu livro de 2005, "New York Burning", foi finalista do Prêmio Pulitzer. Em 2008, ela publicou "Blindspot", uma novela simulada do século XVIII, escrita em conjunto com Jane Kamensky. O livro mais recente de Lepore, "The Whites of Their Eyes", é uma revisão do livro do New York Times Editors 'Choice. E em 2015, lançou estelivro sobre a Mulher-Maravilha, contando todos os segredos de bastidores da vida da família do criador da personagem, e de como estes acontecimentos se refletiram na criação e nas aventuras da persoangem, além de apresentar a história da heroína nestes anos todos em que foi publicada.
                Para Art Spiegelman, autor de Maus, o livro de Jill Lepore foi obsessivamente pesquisado, mostrando uma encarnação do movimento dos direitos das mulheres. Outros definem que este livro devolve a Mulher-Maravilha o seu legítimo lugar como um ícone essencial dos direitos das mulheres, em um trabalho de descoberta dinamicamente pesquisado e interpretado, espetacularmente ilustrado, que injeta um novo entusiasmo na história do feminismo, numa história contada de maneira irresistível, que dá muito prazer de ler. Já Alison Bechdel, autora de Fun Home, descreve que "A História Secreta da Mulher Maravilha é tão cruel, tão improvável, tão incrivelmente correta, como se estivesse cheia de dispositivos curiosos próprios de uma história em quadrinhos. No nexus do feminismo e da cultura popular, Jill Lepore encontrou um capítulo revelador da história americana. Nunca mais vejo os braceletes da Mulher-Maravilha do mesmo jeito."
                Apesar de tudo, demorou para a personagem engrenar. A heroína não era vista como algo revolucionário, e apesar de ter histórias-solo, ela só foi ganhar um título realmente seu, com nome na capa, no início dos anos 1950. Marston não chegou a viver para testemunhar todo o sucesso que a personagem faria ao longo dos anos: ele faleceu em 1947, e coincidência ou não, a personagem começaria a ganhar mais destaque justamente nos anos seguintes, inclusive com seu uniforme, que até então a fazia parecer uma dona de casa fantasiada, a ficar mais justo e curto. Mas, uma vez feita a fama entre os leitores, a heroína não parou mais, e a força da personagem se faz sentir até hoje, sendo a única super-heroína a ser publicada ininterruptamente desde a sua criação, em histórias-solo, com raras interrupções, ao contrário de outras super-heroínas que vivenciaram períodos de fama e esquecimento. É verdade que a personagem já teve diversas abordagens ao longo de sua história, com fases boas e ruins, e com alguns visuais e concepções diferentes do que todo mundo conhece. Mas a Mulher-Maravilha nunca deixou de defender seus ideais, mesmo que estes tenham passado por algumas adaptações ao longo do tempo, e a concepção da personagem hoje a coloque como uma verdadeira guerreira nata. Não por acaso, a heroína foi a terceira personagem do panteão da DC Comics a ganhar um seriado de TV em live-action. O Super-Homem foi o primeiro, no início dos anos 1950, na série estrelada por George Reeves, enquanto que na década de 1960, Batman ganhou as telas da TV com o seriado estrelado por Adam West. E em 1975, seria a vez da Mulher-Maravilha, cuja imagem foi imortalizada pela atriz Linda Carter no papel da personagem, depois de um telefilme fracassado estrelado por Cathy Lee Crosby.

                Esta obra é um excelente lançamento, não apenas por relacionar a hiistória de uma das mais antigas e famosas heroínas dos quadrinhos mundiais, mas por dar uma grande explicação sobre o panorama vivido pelo seu criador, em meio à luta das mulheres para ter seus direitos reconhecidos e serem tratadas em completa igualdade com os homens. Uma luta que, a grosso modo, não acabou até hoje, haja visto em que em várias sociedades, a mulher ainda é tratada de forma discriminatória, e submetida a humilhações e posições de inferiorização, como por exemplo em certos países islâmicos, onde lhes são negados direitos dos mais simples. É um livro que deve ser lido não apenas pelos fãs de quadrinhos, mas por aqueles que se interessam pelos direitos humanos – de todos, sejam homens e mulheres, e de como se travou parte da luta dos direitos femininos para terem direito também a esta conquista. Cumprimentos à editora Best Seller por lançar esta obra no mercado brasileiro, e que possam vir outros livros igualmente interessantes no futuro. 



ANTIGOS FILMES DA MARVEL GANHAM VERSÃO EM DVD



                Os filmes de super-heróis viraram hit na indústria cinematográfica nos últimos 15 anos, e hoje, não há temporada onde algum título, ou vários deles, não estejam no cronograma de lançamentos, sendo impacientemente aguardados pelos fãs, com grandes ou poucas expectativas, dependendo do personagem que será adaptado, e das informações da história que será apresentada. Com faturamentos milionários, e até bilionários em alguns títulos, os fãs destes personagens vivem o paraíso e o inferno com tantos lançamentos. Todos adoram quando os heróis são adaptados com fidelidade, ou no mínimo, respeitam a sua essência, e mesmo com algumas mudanças, apresentam uma boa história. Por outro lado, quando a coisa não é bem feita, há o desapontamento, e até a frustração, quando a produção esperada ou não respeita a história do personagem, ou derrapa feio na construção da aventura que ele deveria viver.
                Mas, filmes de super-heróis são mais antigos do que muitos da atual geração de fãs imagina. Desde os seriados veiculados nos cinemas, nos idos da década de 1930, até os dias atuais, muitos heróis de quadrinhos já ganharam as telas de tempos em tempos, com resultados variados. Estes filmes não eram produzidos no ritmo que se vê atualmente, até porque, então, este tipo de produção não era considerado capaz de produzir sucessos de bilheteria, o que não quer dizer que alguns produtores e estúdios não tentassem a sorte, assim mesmo. E agora, duas destas produção antigas estão ganhando nova chance de serem revistas no mercado de vídeo nacional, através da distribuidora Vinyx Multimidia, que está lançando os filmes do Justiceiro e do Capitão América, heróis da Marvel Comics.
                O JUSTICEIRO foi produzido em 1989, pela New World Pictures, com direção de Mark Goldblatt e produção de Robert Mark Kamen. No papel-título, interpretando Frank Castle, estava o ator Dolph Lundgren, que havia feito o papel de Drago, o adversário rival de Rocky Balboa no filme Rocky IV. Na época, a fama do justiceiro andava em alta na Marvel, com o anti-herói que executava impiedosamente seus inimigos ganhando cada vez mais aventuras, e mais de um título regular sendo publicado pela Marvel Comics. Na caracterização, até que Lundgren caía bem como o personagem. Mas a história do filme não era nem um pouco cativante, resumindo-se a uma luta contra mafiosos que querem tomar o submundo de Nova Iorque, com confrontos com a Yakuza, e com Castle tendo de se aliar a seu ex-parceiro de polícia, o tenente Jake Berkowitz (interpretado por Louis Gossett, Jr.), para resolver a parada, antes que a guerra de facções crie um banho de sangue na metrópole.
                Com um orçamento de cerca de US$ 9 milhões, e rodado em Sidney, o filme recebeu muitas críticas dos fãs. Em nenhum momento o Justiceiro chegava a usar o seu uniforme com a caveira, apesar de ter sido creditado a ele a execução de pelo menos 125 bandidos na história, e sua motivação e a razão de ter se tornado um matador de criminosos, em uma guerra de um homem só contra os bandidos, devido à sua família ter sido executada por criminosos, foi muito pouco e mal explorada na história. Não ajudou muito a interpretação de Dolph, que foi considerada insossa e chata. Nem as sequências de luta ou os tiroteios dos confrontos escapavam das críticas. De se elogiar o fato de Lundgren ter realizado por si mesmo todas as sequências de ação do filme, dispensando o uso de dublês.
                Já CAPITÃO AMÉRICA foi produzido em 1990, por uma junção das companhias 21st Century Film Corporation, Jadran Film, Marvel Enterprises, e Paramount Pictures. A direção foi de Albert Pyun, com produção de Joseph Calamari, Menahem Golan, Tom Karnowski, e Stan Lee. Com orçamento de US$ 10 milhões, o filme foi rodado nos Estados Unidos e na Iugoslávia, com Matt Sallinger interpretando o Capitão América e sua identidade civil, Steve Rogers. Apesar dos esforços de Sallinger em tentar convencer como o herói da Segunda Guerra Mundial, tal como no filme do Justiceiro, o roteiro e os recursos técnicos mal utilizados e com efeitos especiais muito aquém do necessário, mostraram que não seria dessa vez que o Capitão teria o tratamento que merecia numa produção de cinema. Muitas mudanças foram feitas na história, começando pela origem do Caveira Vermelha, que neste filme, nem alemão era, sendo um jovem italiano que acaba sendo forçado a participar de um experimento destinado a criar o nazista supremo, com o qual as forças do Eixo derrotariam os Aliados no conflito global. Mas a criadora do processo, ainda experimental, foge para os Estados Unidos, onde oferece seus serviços ao governo americano, que com sua fórmula cria o Capitão América, sua arma contra a tirania, e contra o perverso Caveira, que apesar do processo incompleto deixado pela cientista, foi criado pelos nazistas assim mesmo.
                Num festival de atropelos, o Capitão recém-criado já é enviado contra o Caveira Vermelha, sendo derrotado, e por um acidente do destino, ao evitar que Washington fosse bombardeada pelos alemães, acaba indo parar no meio do círculo ártico, ficando congelado até os dias atuais, quando acaba encontrado e revivido, e precisa deter novamente o Caveira, agora na identidade de um mafioso que pretende derrubar e conquistar o governo dos EUA, sequestrando seu presidente. Esta produção, que teve um desenvolvimento bem tumultuado nos anos anteriores à sua realização, em virtude de direitos autoriais e problemas de direção entre as companhias de filmagem envolvidas, também levou diversas críticas dos fãs e especialistas.
                Por mais que ambos os filmes não despertem a comoção da grande maioria dos fãs, foram as primeiras grandes produções de cinema a retratarem o Justiceiro e o Capitão América. No Brasil, o filme do Justiceiro acabou sendo lançado nos cinemas, e posteriormente no mercado de vídeo, em VHS. Já o filme do Capitão seguiu direto para o mercado de vídeo, nem tendo sido lançado nos cinemas. E agora os fãs nacionais terão a chance (ou o desprazer) de rever estes dois filmes em DVD, através da Vinyx Multimidia, que ao menos está trazendo ambos em uma apresentação muito bem feita. Ambos os filmes, apresentados como edição de luxo limitada, vêm com luvas de qualidade excelente, com artes diferente da que ilustram os estojos plásticos. Ambos os filmes, que estão sendo oferecidos pelo preço de R$ 29,90, trazem opção de áudio em inglês, português e espanhol, com direito a legendas nestes últimos dois idiomas. De extras, trazem os trailers de cinema e galeria de fotos, sendo que o filme do Capitão traz até alguns cards de brinde. O filme do Justiceiro já se encontra à venda em algumas livrarias e lojas on-line, como a Saraiva, e a Livraria Cultura, enquanto o filme do Capitão deverá serdisponibilizado para venda neste mês de julho.
                Mesmo que os filmes não sejam grande coisa, o lançamento deles por parte desta distribuidora é louvável, por oferecer estas produções no mercado de vídeo nacional com um tratamento mais decente do que muitas outras distribuidoras tem feito em relação a alguns filmes do gênero, que bons ou ruins, merecem ter a chance de serem lançados e devidamente avaliados e aproveitados pelo público. Tanto este filme do Justiceiro quanto o do Capitão América nunca haviam sido lançados em mídia digital no Brasil, ficando restritos aos lançamentos em VHS em suas respectivas épocas. Que a empreitada da Vinyx seja bem-sucedida, e possam trazer muitos outros lançamentos interessantes na área para o público consumidor.